Seminovo sem medo
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Ao analisar o veículo pretendido, é importante se atentar aos detalhes. Alguns componentes do carro sofrem desgaste natural com o passar do tempo, ainda que todos cuidados indicados sejam tomados na hora da manutenção. Determinados itens no habitáculo do automóvel sofrem maiores desgastes em relação aos outros, geralmente por serem mais acessados pelos ocupantes durante o uso. Comumente, o volante, manopla de câmbio, estofado dos bancos, maçaneta da porta, quebra sóis e pedais do acelerador, freio e embreagem, sofrem maior desgaste e, por essa razão, devem ser observados com cautela e utilizados como parâmetro para determinar a real condição do veículo que se pretende comprar. Outro importante ponto nessa análise diz respeito a eventuais substituições de peças no veículo de forma antecipada, como lanternas e faróis, ou pneus em carros com baixíssimas quilometragens.
Contextualizando tais informações, se mostra importante a análise do seguinte exemplo:
João navegava pela internet quando se deparou com o anúncio de um Honda Fit, com 4 anos de uso e 30 mil km rodados, de um único dono, impecável, e que nunca havia batido. Extremamente animado com o achado, se dirigiu até a revendedora onde se encontrava o veículo. Chegando no local, avistou o tão sonhado carro, que brilhava de tão limpo. Não possuía nenhum tipo de arranhado ou amassado. Parecia o carro perfeito. João, então, entrou no tão sonhado automóvel e percebeu que o volante havia sido revestido com uma capa de couro costurada, a manopla do câmbio estava tão arranhada que mal se enxergava os números das marchas, a maçaneta interna estava com o acabamento descascado, o quebra sol do motorista já não aparentava o vigor esperado e os estofados já estavam bem desgastados. Ao sair do carro, João abriu o porta-malas e percebeu que não conseguia fechá-lo com tanta facilidade, sendo necessárias várias tentativas. Se aproximou das lanternas e percebeu que uma delas estava escrito ‘Honda’ e na outra, não. Em seguida abriu o capô e constatou que alguns adesivos, que ficavam no cofre e continham informações sobre o motor, haviam sido arrancados. Por fim, João olhou a data de validade dos pneus do veículo, que por sinal estavam muito bons, e constatou que não eram os originais de fábrica e haviam sido trocados há cerca de dois anos.
Observando a experiência acima relatada, percebemos fortes indícios de que a revendedora veículos não estava sendo transparente no momento da venda. Os detalhes percebidos por João indicam claramente a adulteração na quilometragem no veículo, que provavelmente já havia sofrido algum tipo de colisão. Tal Conclusão se deve ao fato de não haver nenhuma justificativa plausível para um automóvel com 4 anos de uso e apenas 30 mil quilômetros rodados ter desgastes tão severos, geralmente vistos em carros com centenas de milhares de quilômetros ou que não passaram por uma manutenção adequada. Devemos, ainda, nos atentar ao fato de que todos os pneus foram trocados em tempo muito inferior ao esperado para o carro mencionado, deixando a entender que já havia “rodado” muito mais do que a quilometragem indicada no hodômetro.
A necessidade de substituição da lanterna do carro indica que a peça que estava no veículo anteriormente se tornou inútil ao uso, pois provavelmente foi seriamente danificada. Contribuindo com tal suspeita, temos o fato do João ter tido dificuldade em fechar o porta-malas, sintoma evidente de que houve uma reparação de funilaria inadequada, reforçando ainda mais a ideia de que o veículo sofreu algum tipo de colisão, ocultada pela revendedora.
Por isso, é importante ficar atento na hora trocar ou comprar um carro, seja usado ou até mesmo seminovo. Detalhes simples, análises que qualquer pessoa leiga pode fazer, podem revelar mais informações que se pode imaginar, evitando problemas futuros.
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Comentários

Dicas excelentes.
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